Sábado, 13 de abril de 2024
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Turismo de pesca

Turismo de pesca movimenta economia de municípios mato-grossenses

Setor arrecada cerca de R$ 500 milhões por ano no Estado

Em Mato Grosso, a pesca esportiva movimenta cerca de R$ 500 milhes e a estimativa atingir at R$ 2 bilhes anuais nos prximos cinco anos. 

Uma das cidades mato-grossenses em que a pesca esportiva tem crescido So Flix do Araguaia (1020 km ao Nordeste), que  famosa pelas belas praias de gua doce e as temporadas de praia no ms de julho. O municpio tem se destacado na agricultura e a pecuria e agora encontrou na pesca esportiva uma modalidade rentvel para a economia da cidade.


"Estamos fortalecendo o turismo atravs da pesca esportiva. Antes eram mais as temporadas de praia, mas que no eram to rentveis quanto a pesca esportiva, que tem deixado muito mais valor econmico agregado”, avaliou a prefeita do municpio Janailza Taveira.

Outra mudana positiva apontada por ela a transio dos pescadores tradicionais e ribeirinhos em guias de pesca. Ao invs de pescar os peixes para vender as peas por quilo, eles tm ganhado mais em levar os pescadores esportivos para encontrar as espcies mais procuradas no Rio Araguaia, como a pirara e a piraba.

“Eles so os verdadeiros preservadores da natureza e dos peixes. A Lei do Transporte Zero trouxe esse incentivo ao turismo de pesca, melhorou a economia do municpio com a valorizao dessa modalidade turstica e sustentvel. Nosso municpio hoje j vivencia uma nova realidade quando tem a pesca esportiva e no mais a pesca predatria”, comentou a prefeita.
 
Prefeita de So Flix do Araguaia, Janailza Taveira
Prefeita de So Flix do Araguaia, Janailza Taveira
O vice-prefeito de Itaba (580 km ao Norte), Douglas Aziliero, tambm um entusiasta do turismo de pesca e os impactos econmicos na cidade. A atividade que movimenta cerca de R$ 8 bilhes no pas tem mudado o cenrio em Itaba, cujas principais atividades econmicas so o setor madeireiro, pecuria e a agricultura.

“Itaba mudou o cenrio de turismo na nossa regio, justamente por causa da pesca esportiva. Ela comeou tem uns trs anos e somente no ltimo ano, a gente movimentou mais de R$ 5 milhes com a pesca esportiva. O segmento tem mudado a realidade de Itaba, atraindo novos investidores no somente na pesca esportiva, mas tambm em outros setores porque esto vendo que a cidade vai se desenvolver atravs do turismo”, disse Douglas, que tambm proprietrio da Pousada e Rancho Vem Ser Feliz, s margens do Rio Teles Pires.

Defensor da Lei do Transporte Zero, ele defende que os peixes vivos nos rios so muito mais economicamente importantes ao turista, aos pescadores extrativistas que podem se tornar guias de pesca e para gerao de riqueza aos municpios.

“O peixe estava acabando nos nossos rios, e o governador acertou na maneira de fazer a lei. Precisamos defender porque daqui a cinco anos vamos colher o resultado de parar de matar os peixes. Com uma populao maior, vamos conseguir atrair mais turistas no s do Brasil, mas do mundo todo”.

Antes mesmo da legislao, Douglas Aziliero conta que os pescadores profissionais da cidade j tinham parado de abater peixes e comearam a trabalhar como guias, ganhando quase o dobro do que eles ganhavam quando mexiam s com a venda do peixe.

“Eles viram que essa vertente da pesca esportiva mais lucrativa para eles do que propriamente a pesca extrativista, e esto conquistando coisas que antes eles no iam conseguir conquistar somente no ramo da pesca extrativista”.

Presente em troca da preservao

Para evitar a morte de peixes no rio e preservar o turismo de pesca, o empresrio Marcos Martins, de Sapezal (510 km a Oeste), tomou a iniciativa de remunerar com uma carretilha os pescadores que devolvem os peixes ao rio.  

“Desde que ns comeamos esse projeto, a nossa inteno era deixar o peixe vivo, pois assim ele tem mais valor. No momento que voc solta um peixe no rio, deixa ele vivo e d a oportunidade a outro pescador tambm se divertir. Eu vejo muito pescadores ir ao rio para matar o peixe. A brincadeira ir pro rio, pegar o peixe, solt-lo e se divertir com a famlia e os amigos”, disse Marcos, que proprietrio da Reipar Caa, Pesca e Camping.

Ele adquiriu a loja em 2019 de um amigo e desde ento tem promovido competies de pesca esportiva e tem premiado quem devolve o peixe.

“Eu mesmo era um matador de peixe, mas percebi que ele vivo tem mais valor agregado. Acredito que a lei do Transporte Zero uma medida fundamental para o turismo, transforma a vida do ribeirinho trazendo mais oportunidade de ganho por meio da pesca esportiva”.

Transporte Zero

Por meio da Lei 12.197/2023, conhecida como Transporte Zero, o Governo do Estado visa combater a pesca predatria nos rios. Esto vedados o transporte, armazenamento e a comercializao das espcies Cachara, Caparari, Dourado, Ja, Matrinch, Pintado/Surubin, Piraba, Piraputanga, Pirara, Pirarucu, Trairo e Tucunar pelo perodo de 5 anos. 

A atividade pesqueira continuar permitida aos povos indgenas, originrios e quilombolas, que a utilizarem para subsistncia e, tambm para comercializao e o transporte de iscas vivas.

Alm dessas atividades, o novo projeto, ainda libera a modalidade “pesque e solte” e a pesca profissional artesanal, desde que atendam s condies especficas previstas na lei, com exceo do perodo de defeso, que a piracema.

Durante trs anos, o Estado pagar indenizao de um salrio mnimo por ms para pescadores profissionais e artesanais inscritos no Registro Estadual de Pescadores Profissionais (Repesca) e no Registro Geral de Pesca (RGP) que comprovem residncia fixa em Mato Grosso e que a pesca artesanal era sua profisso exclusiva e principal meio de subsistncia.
 
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